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Crítica à 2ª temporada de ‘Marco Polo’, já disponível na Netflix

Marco Polo

‘Marco Polo’ narra os primeiros anos de Marco Polo, um dos mais conhecidos aventureiros da história, interpretado por Lorenzo Richelmy, como espião, embaixador e explorador na corte do imperador Kublai Khan (Benedict Wong) – o quinto Khan do Império Mongol na China do século 13. A série aborda também temas como traição, política e relações proibidas entre membros da corte e do povo e tem como pano de fundo a guerra entre China e Mongólia A primeira temporada estreou a 12 de Dezembro de 2014. Com dez episódios, filmada em Itália, no Cazaquistão e na Malásia.

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Não sendo o primeiro ocidental a visitar China, foi sim, o primeiro a fazer um relato detalhado – “As Viagens de Marco Polo” – da região, o que difunde a cultura asiática na Europa. Não só uma série de entretenimento, é também uma boa forma de ficarmos a conhecer melhor sobre história em geral, mas como nenhuma série vive somente de história, esta série assemelha-se por muitos à série “Game of Thrones”, por isso se gostam de tentativas de subir ao poder e lutas entre famílias e regiões, esta é uma boa série para juntar ao catálogo, e também com uma dose adequada de sexo e nudez.

Marco Polo descobre través da sua mãe que o seu pai, Niccolò Polo (Pierfranscesco Favino) ainda está vivo e fica a vida inteira sozinho, desde a morte da sua mãe, quando tinha apenas 6 anos, à espera do seu pai. Quando o pai decide aparecer, falam durante algum tempo, mas tem que voltar a partir, é aí que Marco decide viajar junto com ele, para mudar a sua vida. Chegam ao reino de Kublai Khan e o pai decide largar Marco, contra a sua vontade, e volta a partir. E a série é basicamente isso, um herói que é largado num espaço, numa sociedade desconhecida e diferente da sua, tendo que sobreviver e obedecer a tudo o que lhe é imposto. Com o passar do tempo começa a criar laços fortes com o imperador Kublai Khan sendo seu servo e lutando para o ajudar a conquistar toda a China. Isto junto com traição, romance, drama e guerra criam uma representação visual das viagens de Marco Polo, e da vida no Império Mongol na China, no século 13.

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Kublai tem 2 filhos, Jingim, e um filho bastardo, Byamba (Uli Latukefu), assim como a esposa Imperatriz Chabi (Joan Chen) e o primo Kaidu (Rick Yune), o qual tem dois filhos, Orus (Leonard Wu) e Khutulun (Claudia Kim). Também na sua corte tem os dois seus servos mais confiados, o qual também trata como filho, Ahmad (Mahesh Jadu). A primeira temporada tem como plot principal a batalha de Xiangyang, entre os mongóis da dinastia Yuan, o exercito de Kublai Khan, e as forças da terra de Song, numa cidade circulada por um muro gigante, o qual no final da temporada Kublai ataca e consegue ficar com o trono, e com isso mais terras chinesas.

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Apesar dos primeiros episódios da primeira temporada serem um pouco ‘chatos’ a série consegue evoluir, e ao contrário de imensas séries, não é uma que precisemos de fazer ‘binge watching’, pois a maioria dos episódios não acabam com ‘cliffhangers’ e não existe uma vontade forte que nos leve a ver de imediato o episódio seguinte, isto também acontece na segunda temporada, mas agora, já conhecendo melhor os personagens ficamos com mais curiosidade em perceber como as coisas se resolvem. Mas existem coisas muito boas, Marco Polo é uma série bonita e composta por bons aspetos, a cinematografia é impressionante e as cenas de luta são muito bem construídas, o que torna a série mais interessante é mais o desenvolvimento dos personagens do que outra coisa, a série não é original, a ideia do herói num lugar novo não é original e apesar de esse desenvolvimento ser interessante existe pouca coisa que nos ligue aos personagens, e nos faça gostar mais ou menos deles.

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No início da segunda temporada é mostrada a infância do imperador Kublai, e como o seu avô o levou pela arte cruel, mas inteligente, da guerra. A segunda temporada continua com imagens incríveis e lutas muito bem trabalhadas e treinadas, e entramos agora para a rivalidade dentro da própria família, Kaidu quer ser o próximo imperador Khan e procura por votos dos chefes de todas as cidades e aldeias da China para conseguir vencer a Kublai e subir ao poder.

Um tema importante é a tentativa de Ahmad de ser o próximo Khan e matar Kublai, no final da primeira temporada vemos um quadro que mandou pintar com uma imagem dele, sentado no trono com a cabeça de Kublai na mão, provar que, mesmo vindo do nada consegue subir ao poder. Outro tema que toma grande parte desta temporada é também a cristandade e a sua chegada até à Mongólia, e o que é que o Papa e o Oeste, em geral, pensam dos mongóis e do seu modo de vida violento. Uma personagem também muito bom é a Princesa Kokachin, ou Nergui, que vemos ter sido a criada da Princesa de Bayaut (cidade conquistada pelos mongóis), e tomou o seu lugar quando a esta cometeu suicídio. Nergui cria uma relação muito forte com Marco, mas o destino de Kublai e da sua família e trono fala mais alto e muito, mas muito, acontece com esta personagem, talvez o tema que mais gostei.

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Outra personagem também importante é Cem Olhos (Tom Wu), também importante porque, apesar do nome Marco Polo ser o título da série e contar a sua história e as suas aventuras, o tempo de ecrã é bem dividido, em ambas as temporadas, por imensos personagens com sub plots que se interligam de uma forma ou de outra, o que torna a série rica em histórias, mas também um pouco mais complexa, e uma dica aqui, não façam muitas perguntas, existem coisas que não são bem explicadas e se começarem a pensar ‘hm, mas então aquele não era isto’ ou ‘então como é que…’, perdem o caminho da história. Cem Olhos é um monge cego que treina os próximos de Kublai que por sua vez treinam o exército. Este monge teve o seu próprio mini episódio, que estreou em Dezembro de 2015, e também está disponível na Netflix, se quiserem ficar a conhecer melhor o personagem. Nesta temporada vamos ficar a conhecer um pouco mais sobre ele e a sua ligação com outra personagem também já estreada na primeira temporada, mas que na altura nunca se assume uma ligação, porque vão reparar que todas as personagens estão ligadas entre si, mas essa relação é mostrada quando traz algo novo para a história.

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Esta temporada, ao contrário da primeira, são mostrados mais flashbacks, de momentos importantes de algumas personagens, o que acaba por ser bom e enriquecedor porque deixa conhecer mais os personagens e o que muda as suas formas de pensar.

É isso, e muito mais, que vão poder ver na segunda temporada de ‘Marco Polo’, com um episódio final mesmo a pedir uma terceira temporada, agora é só esperar, mas já disponível na Netflix por isso o tempo passa mais rápido.

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Francisco Sampaio é Editor de Cinema e Séries do 8.5Bits | franciscosampaio (arroba) 8dot5bits (ponto) com

Sobre o autor

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Há 8 anos a estudar cinema e técnicas audiovisuais, terminou em 2016 a licenciatura em cinema, estando agora a trabalhar como produtor de conteúdo de vídeo, crítico de cinema e gestor de redes sociais em diversas empresas. Amante de cinema e música, gosta de viajar e aprender coisas novas para aumentar os seus conhecimentos em várias áreas.
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