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‘Bridget Jones’s Baby’ – Análise ao Filme

Se Bridget Jones’s Baby fosse um familiar, seria aquela tia que quer estar na moda mas que só usa coisas que já foram ultrapassadas há imenso tempo.

Assim está o mais recente filme da franchise britânica de comédia romântica. Se o relato diário de Bridget Jones começava sempre com uma contagem das calorias, cigarros e bebidas alcoólicas que tinha consumido no dia anterior, neste filme o frenesim adolescente continua – ainda que Bridget tenha alguma resistência inicial.

A ressaca passa da fisicalidade corporal para o espírito de Bridget. Apesar de se (tentar) focar na sua carreira e na sua vida de solteira, acaba por engravidar numa sequência de eventos quase digna de um filme de adolescentes, cujo resultado não é menos jovial: Bridget não sabe quem é o pai. Mas ainda que esta extravagância seja inerente à história do filme, este não precisa das tentativas de ação do filme anterior (a viagem à Tailândia no filme de 2004, Edge of Reason, por exemplo) para fazer com que a história resulte; o filme confina-se ao seu apartamento de sempre, ao seu emprego num canal de televisão, e aos seus colegas e amigos – é um filme com uma escala menor e, de certa maneira, mais intímo.
Ainda que Hugh Grant não faça parte do filme, Patrick Dempsey, o seu “substituto”, não perde em carisma e traz algo novo à saga, sendo uma personagem competente no papel que lhe é dado. No entanto, o papel que lhe é dado não é nada que já não tenhamos visto em tantos filmes deste tipo, e quem diz a personagem de Dempsey também diz todas as restantes; tudo é reciclado de muitos outros exemplos de comédias românticas, onde todos os tropes estão inseridos naturalmente.

Sendo o público-alvo desta saga britânica composto maioritariamente pela população feminina, seria de esperar que eu não me identificasse muito com o filme. Apesar disso, o filme consegue fazer check nas componentes necessárias para agradar ao seu target, mas nem por isso deixa de se afastar do seu incontornável resultado imemorável. O filme acaba por conseguir atingir a mesma piada do primeiro filme da saga, recorrendo a uma aliança sólida entre as personagens secundárias e a protagonista, que, juntas, conseguem conquistar a audiência com a sua comicidade cujo tom já vem desde Bridget Jones’s Diary. Ou seja, quem é fã do primeiro filme, certamente gostará também deste.

Por outro lado, existem cenas incrivelmente datadas, como aquela em que é usada a célebre música Gangnam Style, algo que não se ouvia desde 2012, e onde – adivinharam – há pessoas de meia-idade a dançarem bêbadas. O tema em particular não é fruto dos tempos de agora, mas numa cena em que o objetivo é claro e simples de fazer passar o que quer passar, não se percebe o porquê de irem buscar uma antiga música-sensação da Internet para colaborar na função pretendida.

Bridget Jones’s Baby é um filme leve, que se vê uma vez e se esquece na semana seguinte. Vale o que vale, e cumpre aquilo a que se propõe, mas está longe do patamar das comédias românticas que resistem e sobressaem num género cinematográfico tão concorrido. Não há nada de particularmente memorável sobre o filme, passando as condições perfeitas do seu visionamento por uma tarde de fim-de-semana no sofá, caso não exista grande concorrência nos outros canais. E, claro, a experiência é acentuada se o espetador estiver perto da idade de Bridget.

Pedro Gomes é Editor de Cinema no 8.5Bits | pedrogomes (arroba) 8dot5bits.com

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