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‘Blair Witch’ – Análise ao Filme

Se o primeiro filme, estreado em 1999, foi uma lufada de ar fresco, tornando-se num fenómeno colossal e num exemplo de excelente marketing, este Blair Witch apresenta-se como uma adição capaz à saga mas que acaba por saber a pouco.

Já longe vai o sucesso mundial criado pelos dois jovens americanos e já longe vão todas as coisas que se podem fazer num filme de found footage. Ainda que este projeto seja adaptado aos tempos modernos, como é notório na sua inclusão de drones ou telemóveis, pouco ou nada se revela realmente inovador ou que já não seja um lugar-comum nos filmes deste género de hoje em dia. Muitas coisas se têm feito nos filmes de terror da última década, e por isso não existe muita coisa que se destaque com força neste filme. Mesmo vendo apenas o arranque do filme, conseguimos perceber, com relativa facilidade, em que direção vai a história; para além de a narrativa estar demasiado colada ao primeiro filme, esta sua previsibilidade também não abona nada em seu favor.

Existe uma monótona e incrivelmente aborrecida insistência em jump scares, como se a história ou o filme não tivessem outras principais armas para assustador o espetador. Estas tentativas passam por, basicamente, alguém tocar no ombro de uma das personagens, esta virar-se e constatar que se trata de uma outra personagem. Apenas isto; para além da parvoíce óbvia e completamente desfasada da realidade que isto prova (num bosque, à noite, longe de tudo e numa atmosfera já de si maioritariamente arrepiante por causa dos eventos que foram acontecendo ao longo do filme, quem é que vai chamar a atenção a alguém de uma forma tão … desnecessária?), só revela uma preguiça gigante por parte dos criadores do filme, em estarem mais concentrados em aumentarem o volume nestes momentos (jump scare) do que em concentrarem-se em arranjar outras formas de assustar realmente quem quer ver um filme de terror.

Blair Witch é um filme decente. Não explora propriamente terreno novo ou sequer particularmente interessante, mas a insistência nestes jump scares sem sentido magoa o filme e impede-o de alcançar outra qualidade que poderia ter tido, caso tivesse investido mais tempo e paciência em criar alternativas a estes momentos aborrecidos.
Apesar de a ambiência do filme ser algo claustrofóbica e a tensão se ir construindo ao longo do filme de forma mais ou menos cativante, aliada às boas performances dos actores (ainda que com algum overacting de vez em quando), a melhor parte do filme só chega no final.

Todo o último ato é realmente assustador. A cena é creepy o suficiente para ficarmos a pensar nela durante vários dias; a mistura do ponto de vista meio-videojogo com a estranheza do local onde tudo se desenrola é a receita perfeita para um grande momento num filme de terror. Infelizmente, as dezenas de minutos que a antecedem não estão ao mesmo nível. Mesmo assim, vale a pena ver esta sequela, mais que não seja por esta grande cena final.

Pedro Gomes é Editor de Cinema no 8.5Bits | pedrogomes (arroba) 8dot5bits.com

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