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Análise à série – Por Treze Razões

Baseado nos livros mais vendidos por Jay Asher, ‘Por Treze Razões’ segue o adolescente Clay Jensen que um dia ao regressar a casa depois das aulas encontra à sua porta uma misteriosa caixa com o seu nome.

No interior, descobre cassetes gravadas por Hannah Baker – uma colega de escola por quem se sentia atraído – que se suicidou duas semanas antes. Nos testemunhos que gravou nas cassetes, Hannah explica as treze razões pelas quais ela decidiu por termo à vida. Será que Clay é um desses motivos? Ao ouvir as cassetes, ele irá descobrir porque foi incluído na lista.

Através da narrativa de Hannah e Clay, Por Treze Razões tece uma história intrincada e dolorosa sobre a vida na adolescência que irá tocar profundamente todos os espetadores.

O elenco da série inclui, Dylan Minnette como Clay Jensen (Goosebumps), Katherine Langford como Hannah Baker, Kate Walsh como Sra. Baker (Private Practice), Brian D’Arcy James como Sr. Baker (Smash), Derek Luke como Sr. Porter (Empire), Brandon Flynn como Justin Foley, Justin Prentice como Bryce Walker, Alisha Boe como Jessica Davis, Christian Navarro como Tony Padilla, Miles Heizer como Alex Standall (Parenthood) e Tommy Dorfman como Ryan Shaver.

Porque mentiria uma rapariga morta?

Narrativamente a história é realmente interessante, intrigante, e toca em pontos que importantes das vidas de adolescentes no secundário, e mesmo sendo uma história que para além de emocionante nos puxa para continuar a ver os próximos episódios fiquei um pouco desiludido com o quão a timeline está confusa no sentido em que é difícil perceber quanto tempo passa entre acontecimentos, na narração apenas é dito ‘algum tempo depois’ e isso deixa ainda mais questões sobre as relações que se formam, como existe muita ação entre personagens, e vários plots acaba por ser confuso, não é nada que faça muita diferença na história, apenas se fosse bem explícito tirava as dúvidas que tinha em por exemplo saber quanto tempo passou desde que o protagonista Clay conheceu Hannah, são tantos acontecimentos em alturas diferentes que acaba por dar um bocado a volta ao cérebro… e esse exemplo é apenas o mais forte que penso neste momento, não é sem dúvida a única coisa que deixa duvidas em relação à timeline da história, há alturas em que tanto pode ter passado um mês como um ano e não há nada que justifique e confirme quanto tempo se passou realmente, e isso desilude para o quão intrigante a história é, assim como as interpretações dos atores que estão muito boas para atores menos experientes em séries de televisão.

Uma das coisas que mais gostei e me chamou a atenção foi a montagem, a forma como alterna entre presente e passado e temos as imagens com os tons mais frios a representar o presente, após a morte de Hannah, e os tons mais quentes a representar o passado; e as transições maioritariamente com o protagonista Clay são muito boas e conseguem ser bem compreendidas. Com isto quero dizer que é bem explícito quando estamos a ver imagens do passado e imagens do presente. Enquanto seguimos o protagonista e ele nos ‘leva’ ao passado, somos sempre lembrados de que imagens são da atualidade e quais já aconteceram, através de uma ferida que o Clay tem no presente e que o distingue das suas imagens no passado, não é confuso e ajuda bastante, mas fez-me lembrar um pouco do Star Wars: The Force Awakens, o primeiro exemplo que me vem à cabeça, não sendo grande fã de Star Wars gosto dos filmes e espero não estar a dizer asneiras, mas aquele momento em que o stormtrooper Finn tem sangue no capacete para que o consigamos distinguir dos outros stormtroopers por serem todos iguais, aqui na série, Clay tem uma ferida que separa as imagens no presente com o passado, que com as transições entre estes dois pontos no tempo se torna um salva vidas, talvez sem esta pequena marca fosse mais difícil separar momentos. São pequenas coisas destas que tornam a série mais inovadora e bonita, porque é realmente o estilo Netflix, e o que na minha opinião a Netflix tem de bom são as séries.

A estrutura da série e dos episódios está o mais normal possível e o que imaginaríamos de uma série com 13 episódios e cujo nome é ‘Por Treze Razões’ cada episódio se foca em cada diferente ‘cassete’, uma razão, uma pessoa, mas o que é interessante aqui é que as imagens que vemos do passado envolvem sempre Hannah, Clay, e a pessoa de quem seja sobre a cassete, nunca vemos imagens do passado com pessoas que não daquela que está na cassete, e depois temos o presente com a historia depois de Hannah ter morrido, quem sabe e quem não sabe sobre as cassetes, que é um dos pontos da história que me intrigou bastante, temos sempre pessoas que já as ouviram e que sabem mais do que Clay e acho que é isso que puxa o espetador, que me puxou a mim pelo menos, saber que o protagonista ainda não tem conhecimentos importantes que outros personagens têm e estarmos sempre no ponto de vista dele sobre os acontecimentos, sabemos tanto quanto ele, nem mais nem menos, e é isso que o torna a ele no protagonista, e não Hannah de quem a série é sobre.

Quanto às personagens, Hannah não é uma boa pessoa. Claro que a sua morte é triste, mas pela sua forma de ser, pela sua vontade e não ter medo de dizer o que quer que seja a quem quer que seja, muita da confusão que acontece é culpa sua. Pensemos só, por que razão se não trazer miséria, iria Hannah gravar e distribuir as cassetes, e porquê numa certa ordem e só a certas pessoas, sendo elas faladas ou não nas cassetes?

Os atores adolescentes fazem um bom trabalho na interpretação dos seus papeis, com isto digo que o que estamos a ver são realmente adolescentes, as coisas ‘awkward’ da adolescência são mesmo estranhas e o que acontece e a forma com que lidam com esses problemas da adolescência é realmente verídica; os atores adultos trazem sempre outra visão e outra interpretação mais cuidada e melhor na minha opinião. Especialmente Kate Walsh que interpreta o papel da mãe de Hannah Baker, e que para além de ser boa atriz, consegue trazer e fazer sentir a dor que uma mãe sentiria após a morte e um filho, principalmente por suicídio, e eu gostei bastante disso.

‘Por 13 Razões’ tem produção executiva de Tom McCarthy, Brian Yorkey, Selena Gomez, Joy Gorman e Kristel Laiblin e estreia mundialmente no serviço de streaming Netflix a 31 de março.

Francisco Sampaio é Editor de Cinema e Séries do 8.5Bits | franciscosampaio (arroba) 8dot5bits (ponto) com

Sobre o autor

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Há 8 anos a estudar cinema e técnicas audiovisuais, terminou em 2016 a licenciatura em cinema, estando agora a trabalhar como produtor de conteúdo de vídeo, crítico de cinema e gestor de redes sociais em diversas empresas. Amante de cinema e música, gosta de viajar e aprender coisas novas para aumentar os seus conhecimentos em várias áreas.
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