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Análise a ‘Dolemite Is My Name’

Eddie Murphy regressa em grande após três anos longe do cinema. Em “Dolemite Is My Name”, Craig Brewer – o realizador – tira Murphy do estereótipo de filmes à qual uma geração o associa (The Nutty Professor, Dr. Dolittle ou Norbit) e volta a dar-lhe um papel com o humor irreverente pelo qual ganhou fama. Um caso flagrante desse humor é o especial de Stand-Up “Delirious”, de 1983, que recentemente foi alvo de alguma ira precisamente por pisar muitas linhas que hoje são consideradas incorrectas.

Apesar de também ser uma comédia, este filme é a biografia de Rudy Ray Moore, um artista americano, pioneiro no humor sexualmente explícito e dos filmes Blaxploitation. Tal como Jim Carrey em “Man on the Moon” ou Steve Carell em “Foxcatcher”, Eddie Murphy surpreende pela versatilidade e por nos oferecer uma actuação convincente de uma figura tão irreverente como Moore. Ao contrário das prestações acima referidas, não me parece que esta seja alvo de nomeações para os grandes prémios. Também o filme, apesar de interessante, não deixa ninguém maravilhado. No entanto – e apesar de parecer contraditório – “Dolemite Is My Name” é um dos filmes mais interessantes de 2019. A história de Rudy Ray Moore precisava de ser contada, tal como a de Ed Wood em “Ed Wood” (1994) ou Tommy Wiseau em “The Disaster Artist” (2017) porque foi a paixão e perseverança destes artistas que nos deram os – agora – filmes de culto “Plan 9 from Outer Space” (1959), The Room (2003) e, no caso de Rudy Ray, “Dolemite” (1975).

Um filme que vive da sua história e de um autêntico entertainer como Rudy Ray (e do próprio Eddie), rodeado por pessoas que o apoiaram mesmo quando não acreditavam na sua visão. Não tenho qualquer dúvida que estas histórias e estes filmes que reanimam estas mesmas histórias, dão a muitos jovens sedentos pela sétima arte a vontade de continuar a trabalhar para triunfar neste ramo.

Um original Netflix, com elenco que conta com Keegan-Michael Key, Wesley Snipes, Da’Vine Joy Randolph, Mike Epps, Craig Robinson, Chris Rock e ainda Snoop Dog e com uma excelente banda sonora que nos remete para os anos 70: “Dolemite is dynamite!”.

 

Sobre o autor

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Sou licenciado em cinema e criador da página Cinema Sem Lei. Participei na segunda edição da Academia RTP e actualmente dou alguns workshops e talks sobre a sétima arte. Tenho preferência por clássicos e gosto de estudar a sua influência no cinema de hoje.
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