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20 séries para ver em isolamento

Este artigo foi escrito a pensar em todos que, no atual contexto pandémico, devem evitar aglomerações em espaços públicos e sair apenas se estritamente necessário de modo a zelar pela nossa saúde pública. O isolamento social pode soar os alarmes do aborrecimento e da incerteza, levando a ansiedade a apoderar-se de nós. Mas, não há razões para tal suceder. Se cada um de nós cumprir os seus deveres serena e sensatamente, maiores as probabilidades de regressarmos às nossas rotinas o mais depressa possível. Há que ter paciência e aproveitar este momento delicado para nos dedicarmos às coisas que, habitualmente, nos queixamos de não ter tempo para fazer. Ler um, ou mais livros. Ouvir toda a discografia de um artista da década de 80. Ver toda a saga de Star Wars. Descobrir novas séries para nos abstraírmos da realidade.

É neste ponto que me irei focar daqui em diante. Sem futebol, sem espetáculos, sem concertos, nem programas da manhã, o que fazer para mantermo-nos entretidos? Basta apontarem nas vossas aplicações, folhas de papel ou memórias de elefante a seguinte lista de séries que sugiro começarem a consumir mal terminem de ler este texto.

#1 The Good Place (Netflix) – 4 temporadas, TERMINADA

Criada por Michael Schur, autor de outros êxitos como Brooklyn Nine-Nine (vejam também!), The Good Place é uma comédia que acompanha quatro recém falecidos quando estes ascendem a um universo utópico semelhante ao paraíso, apenas para se verem confrontados com constantes reflexões filosóficas sobre ética e moral. Com Ted Danson e Kristen Bell nos papéis principais, embora não possa parecer cativante de início, vai maturando-se ao longo dos capítulos para se tornar numa série que irá, com certeza, ser mencionada por largas gerações futuras.

#2 Killing Eve (HBO) – 2 temporadas, EM DECURSO

Baseadas na saga Villanelle, de Luke Jennings, Killing Eve é uma estonteante aventura de perseguição e obsessão entre a agente Eve Polastri (Sandra Oh) e a volátil assassina conhecida por Villanelle (Jodie Comer). Ainda que com alguns episódios longos, tem os ingredientes necessários para nos manter motivados e incentivar o binge durante horas. A terceira temporada foi confirmada e irá estrear em abril – mesmo a calhar.

#3 Fleabag (Amazon Prime) – 2 temporadas, TERMINADA

Provavelmente das poucas séries que me encheram totalmente as medidas nos últimos tempos e sobre a qual já teci as minhas opiniões há uns meses. A polivalência de Phoebe Waller-Bridge é evidente em Fleabag: não só é uma ideia original sua, como também interpreta a caótica protagonista que procura endireitar a sua vida após perder a melhor amiga num acidente macabro. Além disso, é mestre num sentido de humor único que, bem equilibrado com uma dose certa de drama, proporciona um turbilhão de sensações que tanto nos pode fazer chorar de rir, como de emoção.

#4 Westworld (HBO) – 3 temporadas, EM DECURSO

Um cenário distópico para ver numa realidade quase distópica. Westworld é uma adaptação do filme de 1973 que tem como foco principal o parque de atrações que dá nome à série, no qual habitam seres robóticos que começam a ganhar consciência sobre a sua essência. Produzido por JJ Abrams e criado por Jonathan Nolan (irmão de Christopher), tem um elenco de luxo do qual constam, entre outros, Anthony Hopkins, Ed Harris, Jeffrey Wright, Thandie Newton e Evan Rachel Wood. A terceira temporada veio em boa hora e acabou de estrear hoje, onde promete dar resposta a todas as pontas soltas dos capítulos anteriores.

#5 How to Sell Drugs Online (Fast) (Netflix) – 1 temporada, EM DECURSO

O que acontece a um adolescente quando a namorada termina com a sua relação? Decide vender droga na internet e tornar-se um dos maiores barões virtuais da Alemanha. Por incrível que pareça, a premissa da série baseia-se em factos verídicos, ainda que grande parte da estória é dramatizada. How to Sell Drugs Online (Fast) tem episódios de curta duração e garante entretenimento e boa disposição para uma tarde, não obstante quaisquer desafios de barreiras linguísticas.

#6 Barry (HBO) – 2 temporadas, EM DECURSO

Outra série sobre a qual já expus a minha opinião, Barry acompanha um hitman que, por ironia do destino, decide tornar-se ator e acaba por lutar constantemente com o que é moralmente correto ou errado. Com Bill Hader no papel principal, equilibra momentos de comédia com drama que, conjugados com grande imprevisibilidade e uma curta duração dos episódios (não mais de meia hora), facilitam a sua rápida visualização.

#7 Sex Education (Netflix) – 2 temporadas, EM DECURSO

Provavelmente a série de maior renome da lista e, de igual modo, das mais vistas. Sex Education é uma ode à rebeldia adolescente no pico de puberdade, uma narrativa divertida e emocionante, na qual estabelecemos fortes ligações às vibrantes personagens únicas. A segunda temporada estreou no início do ano e certamente é das que promove maior binge junto dos fãs, ou seja, ideal para o cenário em que vivemos atualmente.

#8 McMillions (HBO) – série documental, TERMINADA

Talvez a sugestão que mais destoa das restantes, mas cuja presença não deixa de ser válida. McMillions estreou em fevereiro e relata o crime organizado  em torno do jogo de Monopólio da McDonald’s no final do século XX em seis episódios. Com depoimentos de agentes que investigaram o caso e até de indivíduos que participaram no esquema de fraude, este documentário reúne todas as peças necessárias para manter-nos agarrados ao ecrã à medida que vamos descobrindo como vários vencedores foram deliberadamente escolhidos para reclamarem o grande prémio de 1 milhão de dólares.

#9 BoJack Horseman (Netflix) – 6 temporadas, TERMINADA

Mudou o paradigma das séries de animação, não só pela crítica cáustica à indústria de Hollywood, como também por abordar temas sensíveis de uma forma arrojada e natural. BoJack Horseman está bem no topo dos meus favoritos e quem nunca teve oportunidade de ver, tem agora o momento ideal para consumir todas as seis temporadas de uma ponta à outra. Nem vão dar pelo tempo passar.

#10 After Life (Netflix) – 1 temporada, EM DECURSO

Ricky Gervais sempre dividiu opiniões quanto ao conteúdo das suas piadas – veja-se o exemplo do seu monólogo nos Golden Globes em janeiro. Contudo, quando coloca a sua alma e coração em séries, este reúne maior consenso. Bastante elogiada pela crítica, After Life acompanha um homem que tenta superar a morte da sua companheira e que revela uma nova faceta em Gervais. Ainda que contenha o mesmo humor corrosivo e sarcástico de outras obras suas como The Office ou Extras, acrescenta agora um teor emocional que torna After Life mais humana.

#11 Living with Yourself (Netflix) – 1 temporada, EM DECURSO

Parece-me que poucos deram conta da estreia de Living with Yourself em outubro, o que me leva a divulgá-la neste artigo. Apesar de não ser uma narrativa brilhante, é divertida, misteriosa e agarra o público desde o primeiro episódio (pessoalmente, vi numa noite). Duplamente protagonizado por Paul Rudd, retrata um homem que descobre ter um clone – só que numa versão mais corajosa e interessante, o que desencadeia uma série de acontecimentos calamitosos para ambos.

#12 Homecoming (Amazon Prime) – 1 temporada, EM DECURSO

Homecoming é baseado num podcast ficcional que retrata uma investigação a um programa de apoio à reintegração de soldados na comunidade, cujos propósitos estão longe de ser legítimos e transparentes. Apesar de ainda estar longe de concluir a série, promete a cada episódio que vejo. O envolvimento de Sam Esmail, a mente por trás de Mr. Robot, na produção e realização foi outro fator que me fez despertar interesse em seguir. A segunda temporada estreará brevemente e irá contar com Jannelle Monae no elenco, substituíndo a protagonista dos primeiros capítulos, Julia Roberts.

#13 Curb Your Enthusiasm (HBO) – 10 temporadas, EM DECURSO

Provavelmente muitos que ouviram o genérico de Curb Your Enthusiasm em diversos vídeos que circulam pelas redes sociais nunca tiveram a oportunidade de ver esta ideia de Larry David, criador do lendário Seinfeld. Agora, abre-se uma janela para que mais fiquem a conhecer uma obra de improvisação onde o ator e humorista norte-americano utiliza situações banais do dia-a-dia e constrói uma hilariante narrativa em torno delas. Não tem uma continuidade vincada, pelo que podem assistir a episódios soltos. Ainda assim, recomendo que não deixem nenhum por ver.

#14 Unbelievable (Netflix) – 1 temporada, TERMINADA

Não há duas sem três nesta lista – também tive oportunidade de partilhar as minhas considerações sobre Unbelievable em setembro passado. Baseado numa reportagem vencedora de um Prémio Pulitzer e num episódio de um podcast, trata-se de uma mini-série que relata um verídico caso mal investigado que, anos mais tarde, vê justiça ser feita à vítima que fora erradamente acusada de deturpar factos à polícia. Apesar dos episódios serem longos, o mistério e a vontade de obter resposta às intermináveis questões que vão surgindo narrativa fora fazem Unbelievable ser fácil de acompanhar.

#15 Euphoria (HBO) – 1 temporada, EM DECURSO

Euphoria podia ser mais um nome numa longa lista de séries sobre a adolescência… se não perspetivasse a realidade de uma forma mais crua e sem filtros. Protagonizada por Zendaya, que interpreta uma rapariga que regressa de um retiro de desintoxicação, é uma ambicionante narrativa que violentamente retrata relacionamentos humanos e as suas múltiplas experiências pelo mundo das drogas e do sexo. Não é para todos os gostos, mas a originalidade sai vencedora.

#16 Russian Doll (Netflix) – 1 temporada, EM DECURSO

A matrioska de eventos que Nadia (Natasha Lyonne) continuadamente revive a noite da sua festa de aniversário está na base para uma das mais peculiares mas interessantes séries da Netflix. Com poucos episódios de uma duração nunca superior a meia hora, é outra que entra para a lista das que se podem ver numa tarde. Uma segunda temporada foi confirmada, ainda sem data de estreia.

#17 Undone (Amazon Prime) – 1 temporada, EM DECURSO

Ambígua, mística e construída sobre um complexo espectro temporal, Undone é o novo projeto de animação de Raphael Bob-Waksberg, criador do já mencionado BoJack Horseman. O enredo desenvolve-se em torno de uma rapariga que, quando tem um quase fatal acidente de viação, adquire uma espécie de poder de controlar o tempo que lhe irá permitir investigar a morte do seu pai. Embora não tão sarcástica, a narrativa possui uma boa dose de emoção e consegue comover a audiência.

#18 The End of the F***ing World (Netflix) – 2 temporadas, TERMINADA

Mais uma série sobre a qual já falei, neste caso, apenas relativamente à segunda temporada. The End of the F***ing World é mais um exemplo das recorrentes estórias coming of age – embora esta trama esteja repleta de ironia e um humor invulgar que, associando às insólitas personagens e à relação que estabelecem entre si, consegue também destacar-se pela originalidade.

#19 Community (NBC – na Netflix a 1 de abril) – 6 temporadas, TERMINADA

Podem começar a ver já ou esperar que seja incluído nos serviços da Netflix já a partir de dia 1 de abril (conforme confirmaram). Community foi, para muitos críticos e para a generalidade dos fãs, uma das melhores séries de comédia da década passada, tendo sido rotulada de culto, muito graças ao seu meta-humor, referências populares e personagens icónicas.

#20 Succession (HBO) – 2 temporadas, EM DECURSO

Uma das particularidade de Succession, além de ser das séries mais aclamadas do momento, é de eu ainda não a ter visto, o que me fez deixá-la para último na lista. Mas, a vontade é muita. Tanta é a vontade, aliás, que a coloquei nestas recomendações para que servisse de recomendação a mim próprio também. Resumidamente, acompanha uma família disfuncional cujo interesse principal passa por escolher um sucessor para a sua empresa quando o estado de saúde do atual presidente fragiliza-se. Os episódios podem chegar a uma hora de duração, mas o hype construído em torno da narrativa é suficiente para dar uma chance.

Sobre o autor

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Durante grande parte do seu dia, o Guilherme é analista de mercado numa multinacional tecnológica, enquanto se refugia na Netflix e salas de cinema durante o seu tempo livre. Por outras palavras, o Guilherme equilibra uma profissão que nunca imaginou ter, numa área na qual nunca imaginou trabalhar, com momentos de lazer onde se dedica a escrever, aquilo que sempre sonhou fazer. (o Guilherme nunca disse que queria ser poeta)
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